Redes de corrupção do chavismo desviaram mais de R$ 20 bilhões na Venezuela
Dê de presentePrefira a Gazeta no GoogleO ditador da Venezuela, Nicolás Maduro. (Foto: JHONN ZERPA/Palácio Miraflores/AFP)Ouça este conteúdo
Um relatório publicado no fim de maio pela Transparência Venezuela, organização ligada à Transparência Internacional, revelou que redes de corrupção associadas ao chavismo adquiriram ao menos 719 bens em 21 diferentes países com dinheiro desviado da Venezuela. Ao todo, os ativos estão avaliados em cerca de US$ 3,99 bilhões (RS$ 20,3 bilhões, na cotação mais recente)
Segundo a ONG, os bens foram identificados por autoridades internacionais entre 2009 e abril de 2026. A lista inclui contas bancárias, imóveis, veículos de luxo, joias, relógios, obras de arte, aviões, iates, cavalos e ações.
De acordo com o relatório, 287 bens já foram confiscados definitivamente, com valor estimado em US$ 1,31 bilhão (RS$ 6,5 bilhões). Outros 432 ativos estão congelados, bloqueados ou sujeitos a confisco, somando aproximadamente US$ 2,67 bilhões (R$ 13,4 bilhões).
A Transparência Venezuela afirma que os casos mostram como ex-funcionários, empresários e operadores financeiros ligados ao chavismo usaram esquemas de corrupção complexos para retirar dinheiro do Estado, especialmente da Petróleos de Venezuela S.A. (Pdvsa), estatal petrolífera do país, e transformar esses recursos em patrimônio no exterior.
Conforme a ONG, os mecanismos usados por esses indivíduos para desviar os recursos públicos incluíam empresas de fachada, contratos falsos, pagamento de propina, uso de laranjas, superfaturarão em contratos públicos e movimentação de dinheiro por contas bancárias em diferentes países.
Os Estados Unidos concentram a maior parte dos bens já confiscados. Segundo o levantamento, autoridades americanas já confiscaram 274 ativos ligados a esquemas de corrupção venezuelanos. O país aparece à frente de Itália, Colômbia e Argentina entre as jurisdições com bens definitivamente retirados das redes investigadas.
A Transparência Venezuela defende a criação de um fundo independente para administrar os ativos recuperados no exterior. A proposta, segundo o relatório, é que esses recursos possam ser usados futuramente na reconstrução de escolas, hospitais e serviços públicos, caso haja uma estrutura institucional legítima no país.
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